2 de maio de 2007
Campanha contra o suicÃdio.
Durante uma semana, do dia 25 de março a 01 de abril, a Associação Espírita Maria de Nazaré, com o apoio dos demais Centros Espíritas de Guanambi, promo-veu uma intensa campanha em favor da vida, com panfletagem nas praças, pales-tras nos colégios, divulgação nas rádios da cidade, encerrando a programação na tarde de ontem, dia 01, na praça Vereador Sebastião Malheiros, onde espíritas e simpatizantes da doutrina se reuniram para realizar uma prece coletiva em favor dos espíritos dos suicidas e de todos que pensam em cometer este ato.
O início oficial da Campanha em De-fesa da vida: Suicídio Nunca, aconteceu na Câmara de Vereadores, onde foi reali-zada uma palestra com o expositor Cristi-ano Fádel, de Igaporã, que falou sobre o tema “Suicídio, não cometa esse crime e saiba porque”.
O palestrante destacou as conseqüên-cias do ato do suicídio na visão espírita, que acredita na continuação da vida após a morte. Sendo assim, Cristiano frisou que “a grande decepção de quem atenta contra a própria vida é descobrir que continua vivo e que os seus sofrimentos não só continuaram, mas também foram agrava-dos, pois seu corpo espiritual continua a sentir as dores, as sensações do instante da morte do corpo, além do sofrimento dos familiares e amigos”. Cristiano tam-bém falou a respeito dos principais moti-vos que levam uma pessoa a querer aca-bar com a própria vida, destacando que a maioria dos que cometem suicídio passa-ram por acontecimentos estressantes, como problemas interpessoais (discussões com esposas, família, amigos, namora-dos), rejeição (separação da família e amigos), eventos de perda (perda finan-ceira, luto), problemas financeiros e no trabalho (perda do emprego), aposentado-ria, dificuldades financeiras, mudanças na sociedade (rápidas mudanças políticas e econômicas) e vários outros estressores como vergonha e ameaça de serem consi-derados culpados.
O Palestrante desmentiu o mito de que quem fala que vai se matar não se mata. “Quem fala faz, diz Cristiano. Esse é um dos sintomas que os familiares podem perceber em uma pessoa que pensa em cometer esse ato e que deve ser levado a sério. Provavelmente essa é uma forma da pessoa pedir socorro”.
Abordando a necessidade de se ter uma visão otimista diante das adversida-des da vida, Cristiano encerrou a exposi-ção da noite.
Antes da palestra, alunos da Obras So-ciais Maria de Nazaré, fizeram uma apre-sentação musical para o público presente.
O ato que encerrou a semana de cam-panha foi dirigido por Marcionílio Nas-cimento, presidente da Associação Espíri-ta Maria de Nazaré, que espera que a campanha tenha ajudado as pessoas que pensam em suicídio e suas famílias.
De acordo com informações da Policia Militar, na região de Guanambi em 2006, ocorreram 07 casos de suicídios e 07 tentativas e já em 2007, foram 03 tentati-vas e 01 consumação. Já a Policia Civil registrou, somente no município de Gua-nambi, 05 suicídios em 2006 e 01 em 2007. Estes números são apenas os casos registrados pela Polícia. Muitos casos, principalmente as tentativas, não chegam a ser registrados.
Qualquer tentativa contra a própria vi-da ou a do semelhante representa o des-prezo direto contra a Criação Divina, pois Deus após ter criado o universo atua or-ganizando a sua Obra. Não a deixou en-tregue aos caprichos humanos. Ademais, a morte originada pelo suicídio atinge somente corpo físico, pois o Espírito é imortal e não pode ser morto.
Em diversas fontes existem as bases morais que alertam para a grandeza do crime cometido quando se atenta contra a vida. No Evangelho segundo Mateus (5:21-22), Jesus alerta: “Ouvistes que foi dito aos antigos: não matarás; mas qual-quer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo[...]”. Na obra base do Espiritismo, O Livro dos Espíritos, na questão 880 está registrado que o primeiro direito natural do homem é o direito à vida e, na questão 944, diretamente refe-re-se ao suicídio quando diz que somente Deus tem o direito de dispor da vida hu-mana, “o suicídio voluntário é uma trans-gressão da” Lei de Deus. Ao Espírito encarnado que atenta contra a Vida, cria-ção divina, resta espiar o seu erro de for-ma dolorosa, em um tormento moral ge-rado por ele próprio. Além disso, suicidar-se é um ato insensato, pois o principal objetivo nunca é atingido: a morte. Somos espíritos imortais condenados à felicida-de.[Associação Espírita Maria de Nazaré, Guanambi/Ba, NUBEM, Igaporã/Ba.]
Publicado no Jornal Evangelizar - ano 3 - n. 4 - abril/2007.
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